Em 2019, três filhos de cafeicultores – Mauro, Leonardo e Luciano – decidiram enfrentar um problema que há anos tirava o sono de muitos produtores de café: o processo de certificação. Caro, burocrático e confuso, ele afastava produtores de oportunidades valiosas e de mercados dispostos a pagar mais pelo café sustentável. Esse foi o pontapé para a criação da Certicafé.
O trio, criado entre talhões de café e histórias de esforço no campo, percebeu que havia um enorme espaço para inovar. A solução? Criar uma plataforma tecnológica que tornasse a certificação simples, acessível e digital – algo até então impensável para muitos no setor.

Dor de mercado e solução
Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, cada vez mais compradores exigem selos que atestem boas práticas socioambientais. Sem certificação, muitos produtores ficam de fora de contratos premium.
A Certificafé nasceu para mudar esse cenário. Sua plataforma combina monitoramento agrícola, compliance socioambiental e inteligência artificial para diagnosticar e orientar o produtor rumo à certificação, reduzindo até 60% da burocracia do processo.
Com ela, o produtor sabe exatamente o que precisa fazer, investir e comprovar. O resultado: acesso a novos mercados, cafés de maior valor agregado e mais lucro – tudo 100% digital.
O modelo de negócios da Certificafé é baseado em SaaS (Software as a Service), com assinatura anual recorrente. No início, o produtor recebe um diagnóstico que mostra tudo o que sua fazenda precisa ter, fazer e investir para conquistar uma certificação. Depois, para manter o título, é necessário passar por auditorias anuais na propriedade.
Ao superar o desafio de automatizar um processo antes totalmente manual e conquistar a confiança de um setor tradicional, a startup provou que é possível reduzir em até 60% a burocracia da certificação. Esse diferencial impulsionou seu crescimento, permitindo que a empresa dobrasse de tamanho a cada ano.
Hoje, a Certificafé já conta com um perfil diversificado de clientes, incluindo grandes multinacionais, cooperativas e tradings, como LDC, Syngenta, Cooxupé e o Governo do Estado do Espírito Santo. Nesses casos, é comercializada uma licença da plataforma para que elas implementem a certificação nos produtores cooperados e parceiros.
Quais os marcos estratégicos da empresa?
Para Mauro Júnior, fundador e CEO da Certificafé, dois dos principais marcos da trajetória foram:
- a validação da solução em uma fazenda que precisava passar por auditoria de certificação em plena pandemia, em um cenário completamente adverso;
- e a primeira venda para uma cooperativa de agricultura familiar que necessitava da certificação orgânica para seus cafés e estava sob risco de fechar as portas caso não conseguisse o selo.
O reconhecimento também veio nos palcos: a Certificafé venceu desafios da AgroAmazônia, Agrogalaxy, Sebrae Like a Farmer e, mais recentemente, foi eleita Startup Destaque no estágio Seed no prêmio Agrimatching no Rural Summit, evento realizado pela Rural, Arara Seed e The Yield Lab Latam.

Uma dedicação que está no sangue
A principal inspiração dos fundadores está muito mais próxima do que se imagina: suas próprias famílias. Quando questionado sobre benchmarks, Mauro Júnior respondeu:
“Nos inspiramos no trabalho de nossos pais, que com muito amor e dedicação trabalham todos os dias no campo, enfrentando as intempéries climáticas e todos os problemas que acontecem nesta indústria a céu aberto, para produzir um alimento de qualidade. Isso sempre nos mostra a importância de ter sabedoria para mudar, resiliência e persistência para seguir em frente.”
Esse vínculo com o campo reforça ainda mais o propósito da Certificafé: facilitar a comprovação da sustentabilidade e ajudar o Brasil a se defender e se posicionar como o celeiro sustentável que alimenta o mundo sem prejudicar as futuras gerações.
Vale destacar que, até hoje, a empresa nunca recebeu investimentos externos. Os fundadores optaram por seguir no modelo tradicional de bootstrapping, financiando seu crescimento de forma orgânica.
E o futuro da Certificafé?
Olhando para frente, a Certificafé seguirá com a missão de simplificar a certificação na agricultura brasileira. A agtech já estuda novos caminhos para escalar o negócio, como expandir sua atuação para a cadeia da soja e ampliar integrações com tecnologias emergentes, entre elas blockchain e georreferenciamento.
Assim, a empresa reforça seu compromisso em transformar a forma como o agronegócio brasileiro se relaciona com a sustentabilidade, contribuindo para um setor mais justo, competitivo e inovador.
