O Brasil vai receber a COP 30.
E isso não é apenas sediar um evento global. É uma vitrine. Uma chance única de mostrar ao mundo quem realmente somos, e não apenas como nos enxergam.
O agro brasileiro é muito mais do que números de exportação e geração de renda.
É gente que acorda cedo, produz alimento para milhões, movimenta economias locais, enfrenta riscos climáticos cada vez mais severos e, ainda assim, preserva áreas nativas muito além do que qualquer outra nação mantém. É tecnologia, pesquisa e inovação brotando no campo todos os dias.
Mas não basta fazermos. Precisamos comunicar bem. E, mais do que isso, precisamos evoluir juntos, com coragem para olhar também para o que precisa melhorar.
A COP 30 é a oportunidade para:
- Posicionar o agro como aliado da sustentabilidade, e não como vilão.
- Valorizar o que já fazemos bem: plantio direto, Código Florestal, produção regenerativa, rotação de culturas, uso de insumos biológicos, integração lavoura-pecuária-floresta.
- Assumir o protagonismo na recuperação dos mais de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas que o Brasil possui, transformando áreas improdutivas em polos de produção regenerativa, biodiversidade e sequestro de carbono.
- Reconhecer os desafios e agir com transparência: combater ilegalidades, melhorar a fiscalização e dar mais voz a quem faz o certo.
- Ampliar o uso de tecnologias que otimizem gestão, aumentem produtividade e reduzam impactos ambientais.
- Fomentar a cadeia dos insumos biológicos e acelerar sua adoção como pilar da agricultura de baixo carbono.
- Incentivar o empreendedorismo e abrir mais espaço para agtechs e climate techs que estão reinventando a forma como produzimos alimentos e ao mesmo tempo regenerando.
- Unir produtores, empresas, governos e sociedade para construir o futuro do agro brasileiro com credibilidade internacional.
O mundo vai olhar para o Brasil.
E, quando olharem, precisamos que vejam um país que sabe produzir e quem também está aprendendo a regenerar.
O mercado de carbono é uma das grandes oportunidades econômicas para o Brasil, mas não pode ser visto como o único objetivo. Quando adotamos práticas regenerativas, os ganhos vão muito além do financeiro: restauramos solos, aumentamos a produtividade, fortalecemos a resiliência climática e protegemos a biodiversidade. O carbono, nesse contexto, é um “plus”, um benefício adicional de um processo que já é transformador por si só.
Não podemos aceitar que o Plano Clima imponha uma sobrecarga desproporcional à agropecuária, atribuindo ao setor até 36% das reduções de emissões até 2030 e 54% até 2035, enquanto outros segmentos da economia podem até ampliar suas emissões.
Além disso, é injusto e metodologicamente equivocado atribuir ao agro emissões oriundas de desmatamento em áreas públicas, assentamentos e comunidades tradicionais, que não estão sob responsabilidade dos produtores.
O Plano Clima ainda desconsidera as práticas sustentáveis já amplamente adotadas no campo brasileiro, como a preservação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reservas legais, o plantio direto, os sistemas integrados de produção e o uso crescente de bioinsumos.
Essas práticas não apenas reduzem emissões, mas também regeneram solos, ampliam a biodiversidade e consolidam o Brasil como referência em agricultura de baixo carbono. É fundamental que a COP 30 reconheça e valorize esses esforços, evitando que o setor seja injustamente tratado como vilão, quando na realidade é parte essencial da solução climática global.
Sabemos também que o agro vive um momento desafiador: alta inadimplência, ciclos desfavoráveis das commodities e impactos cada vez mais frequentes de eventos climáticos extremos. Some-se a isso um cenário geopolítico em que relações comerciais estratégicas, como com os Estados Unidos, enfrentam tensões que também interferem na imagem do agronegócio brasileiro e na dinâmica da cadeia interna.
É essencial que o país caminhe para um modelo de incentivos positivos: taxas diferenciadas de financiamento e crédito mais competitivo para quem adota biodiversidade de culturas, manejos sustentáveis e práticas de agricultura regenerativa.
Da mesma forma, precisamos de políticas claras e robustas de incentivo à recuperação de pastagens degradadas, que representam hoje a maior oportunidade de regeneração produtiva e climática do Brasil.
A COP 30 é a oportunidade estratégica para mostrar que o Brasil pode ser também uma potência na regeneração de áreas degradadas e preservação de biomas, podendo liderar soluções climáticas globais e consolidar-se como referência mundial em produção sustentável com alto valor agregado. Esse posicionamento abre caminho para novos acordos e parcerias comerciais, diversificando mercados, atraindo investimentos e fortalecendo o agro sustentável.
Para que isso funcione na prática, é urgente que o acesso a recursos e linhas de crédito com juros mais competitivos se torne realidade para quem produz alimento, especialmente para o pequeno e médio agricultor. Esses produtores têm papel decisivo na segurança alimentar do país, mas enfrentam grandes barreiras para investir em inovação e adotar práticas regenerativas.
Essas medidas já deveriam ter sido implementadas para que hoje estivéssemos mostrando resultados concretos ao mundo. Ainda assim, há tempo de agir.
Porque o agro é vida.
E o nosso olhar está para a agricultura regenerativa. Capaz de recuperar solos, restaurar florestas, aumentar a produtividade e proteger o futuro.
E sabemos que vida só existe quando cuidamos das nossas florestas, da nossa água e de nosso solo.